Lençóis Maranhenses: Patrimônio Mundial desde 2024 e o que saber antes de visitar
Os Lençóis Maranhenses, maior campo de dunas da América do Sul, formam lagoas de chuva entre areias brancas e são Patrimônio Mundial da Unesco desde 2024.
- Por: Joseli Lourenço
- 31/10/2026
- 2:02 pm

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses fica no litoral leste do Maranhão, no Nordeste do Brasil. É uma unidade de conservação federal criada em 1981, administrada pelo ICMBio, que abrange terras de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz.
O que chama atenção é o contraste. Fileiras de dunas de quartzo branco, com cerca de 30 metros de altura segundo a NASA, se estendem sobre um mosaico de lagoas de água doce. Essas lagoas dependem da chuva: surgem num período do ano e encolhem quando a estiagem avança.
Onde ficam os Lençóis Maranhenses e como é a área protegida?
Os Lençóis Maranhenses ficam no litoral oriental do Maranhão, a cerca de 260 km de São Luís, e a área protegida abrange os municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz.
O parque foi criado pelo Decreto 86.060, de 2 de junho de 1981, com área estimada de 155 mil hectares. O ICMBio informa hoje 156.608,16 hectares. A diferença vem de medições posteriores, e outros órgãos apresentam valores próximos, como a Unesco, com 156.562 hectares.
A unidade fica numa zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia. Além das dunas, protege restinga, manguezal e costa oceânica. O campo de dunas ocupa cerca de dois terços da área, o que corresponde a aproximadamente 90 mil hectares, segundo a Unesco.
Informações essenciais
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Localização | Litoral leste do Maranhão, Brasil |
| Municípios | Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz |
| Criação | 2 de junho de 1981 (Decreto 86.060) |
| Gestão | ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) |
| Área | 156.608,16 hectares, segundo o ICMBio |
| Reconhecimento | Patrimônio Natural da Humanidade (Unesco), 2024 |
| Entrada | Sem cobrança de taxa pelo ICMBio. Os passeios são pagos às agências e operadores credenciados |
| Funcionamento | Aberto à visitação durante todo o ano |
| Principais bases | Barreirinhas, Atins e Santo Amaro |
Por que os Lençóis Maranhenses parecem um deserto, mas têm tantas lagoas?
As lagoas existem porque a região recebe muita chuva e porque a água fica retida sob a areia. Os Lençóis Maranhenses têm aparência desértica, mas não são um deserto.
A NASA calcula cerca de 125 centímetros de chuva por ano. Algumas fontes locais citam valores mais altos, perto de 1.600 mm, e os números variam conforme o ponto de medição e o ano. Mais de 90% da chuva cai entre janeiro e julho, segundo pesquisa divulgada pela Fapesp.
A água infiltra na areia e eleva o lençol freático. Uma camada de rocha impermeável abaixo da areia impede que ela escoe para o fundo, e o líquido aflora nos vales entre as dunas. Segundo a Unesco, as lagoas não têm entradas nem saídas e recebem água apenas da chuva, não do mar.
De onde vem tanta areia?
A areia é composta principalmente de quartzo. Rios como o Parnaíba e o Mearim levam sedimentos até o litoral, as ondas depositam o material na costa e os ventos o empurram para o interior.
As dunas não são fixas. Segundo registros apresentados pela Unesco, algumas avançam entre 4 e 25 metros por ano, e o relevo é redesenhado continuamente.
De onde vem o nome?
O nome faz referência às curvas das dunas, que vistas de cima lembram um tecido branco amassado, como lençóis.
O que a Unesco reconheceu em 2024?
A Unesco inscreveu o parque na Lista do Patrimônio Mundial em 26 de julho de 2024, durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Nova Délhi, na Índia.
Foi o 24º sítio brasileiro na lista e o oitavo natural. A candidatura foi encaminhada em 2018. O reconhecimento se apoia em dois critérios naturais: a beleza e a singularidade da paisagem e a importância dos processos geológicos que a formaram.
Segundo a Unesco, o parque abriga 133 espécies de plantas e 112 de aves, algumas endêmicas ou ameaçadas.
Vale saber: segundo a NASA, alguns animais das lagoas sobrevivem à estiagem na lama úmida sob a areia, em estado de dormência, até as chuvas voltarem.

Quando as lagoas dos Lençóis Maranhenses estão cheias?
As lagoas costumam estar cheias entre maio e setembro, com maior concentração normalmente em junho e julho, segundo imagens de satélite da NASA.
Entre janeiro e maio as chuvas são intensas, o que aumenta a chance de dias nublados. Depois que a chuva diminui, a evaporação reduz o volume aos poucos. Entre agosto e novembro o nível subterrâneo cai e muitas lagoas desaparecem até dezembro.
O comportamento muda entre as bases. Operadores e guias de viagem indicam que as lagoas do interior do parque, acessadas a partir de Santo Amaro, costumam durar mais, em alguns anos até o início de outubro. Fenômenos como El Niño e La Niña alteram o regime de chuvas, e a duração varia de um ano para outro.
Dica de visita: antes de fechar passeio, pergunte à agência quais lagoas estão com água naquela semana. Em meses de estiagem, o cenário pode ser bem diferente das fotos de junho.
Barreirinhas, Atins ou Santo Amaro: qual base escolher?
Barreirinhas é a principal porta de entrada. Concentra mais pousadas, restaurantes e agências, e dali saem os passeios 4×4 tradicionais, como os que passam pela Lagoa Azul e pela Lagoa Bonita.
Atins é o ponto de partida da Travessia dos Lençóis. Santo Amaro dá acesso às lagoas do miolo do parque e também é uma entrada para quem faz a travessia a pé.
Quais regras valem para visitar os Lençóis Maranhenses?
O visitante só deve fazer passeios com veículo, motorista e condutor credenciados pelo ICMBio. O parque não tem portarias nem cobrança de ingresso, e quem cobra pelos serviços são as agências e operadores.
O veículo credenciado deve ter adesivo de identificação nos dois lados, e o condutor precisa usar crachá do ICMBio em local visível. Confira ambos antes de fechar o passeio.
Segundo as orientações do ICMBio, são proibidos veículos não autorizados (particulares, motos, buggys, quadriciclos e UTVs), bebidas alcoólicas, fogueiras e animais domésticos nas áreas do parque.
Atenção: não caminhe sozinho pelas dunas. Quem não conhece a região pode se perder com facilidade, e o resgate é complicado.
Como funciona a Travessia dos Lençóis?
A Travessia é uma trilha de longo curso que cruza o parque de Atins até Santo Amaro do Maranhão. Passa pela Zona Primitiva, a área mais sensível, onde a visitação só é permitida a pé.
Os pontos de apoio existem apenas nos povoados de Baixa Grande e Queimada dos Britos, dentro da unidade. O ICMBio recomenda levar ao menos três litros de água por pessoa por dia.
Para a temporada de 2026, o ICMBio publicou normas para caminhadas e trekkings, em vigor desde 1º de maio. Segundo a imprensa, elas incluem registro prévio de entrada, limite de dez pessoas por condutor e uso de coletores de dejetos. As regras podem mudar, então confirme os detalhes com o ICMBio e com a agência antes de reservar.
Informação importante: os passeios acontecem em ambiente aberto, com sol forte, vento, areia e pouca sombra. Leve água, repelente e protetor solar.

Perguntas frequentes
Os Lençóis Maranhenses são um deserto?
Não. Apesar das dunas, o clima é tropical e a região recebe mais de mil milímetros de chuva por ano. Desertos típicos geralmente recebem menos de 250 mm. A Unesco classifica o parque como um campo de dunas com lagoas de chuva.
Vale a pena ir fora da época das lagoas cheias?
O parque fica aberto o ano inteiro, mas o visual muda muito. No fim do segundo semestre, muitas lagoas encolhem ou secam, e passeios que dependem de banho ou de lagoas cheias perdem sentido. Se a data for fixa, priorize a base de Santo Amaro e confirme as condições com a agência.
Dunas que a chuva enche e o vento redesenha
Os Lençóis Maranhenses não são um cenário fixo. A combinação de areia de quartzo, vento constante, chuva concentrada no primeiro semestre e um subsolo que retém a água produz uma paisagem que muda de forma e de cor a cada ano.
O parque é indicado para quem quer observar um processo natural em andamento, de preferência entre maio e setembro. Exige planejamento: é preciso contratar condutor e veículo credenciados, aceitar que o volume das lagoas varia conforme o ano e se preparar para sol e vento. Com o título da Unesco, o desafio é manter essa paisagem preservada enquanto a visitação cresce.
Veredito: vale a pena visitar a Letônia em 2026?
Vale para quem gosta de arquitetura, castelos, natureza e preços abaixo dos nórdicos. Riga, Sigulda, Cēsis e Jūrmala cabem bem em 5 dias, e a entrada sem visto facilita.
Não vale para quem busca clima quente garantido, vida noturna intensa ou voo direto do Brasil. Prepare-se para conexão e frio fora do verão.

Joseli Lourenço
Exploradora independente de viagens e culturas, dedicada a descobrir países, registrar curiosidades e compartilhar conhecimentos sobre história, tradições e destinos ao redor do mundo.





